A pizza, hoje, é um dos pratos mais populares no mundo todo.
E são várias as explicações para isso. A famosa “redonda” saindo do forno, com um aroma inigualável, inimitável, é daqueles pratos que se compartilha com as pessoas que se gosta; é dos que pode ser preparado com os mais variados recheios, ainda que necessitem ser bem combinados; é dos que despertam sensações da tradição mediterrânea do pão e do azeite; é dos que nos fazem repetir o ritual porque as lembranças - da massa, da cobertura, da quebra de monotonia - sempre serão especiais e prazerosas.
A palavra "pizza" originou-se do grego pèza, que significa ‘planta do pé’.
A história da pizza começou na Europa, cidade de Nápoles. Num primeiro momento, surgiram as chamadas ‘pizzas brancas’; posteriormente, com a descoberta do tomate, vindo da América, vieram as ‘pizzas rosse’; e por fim, após a Segunda Grande Guerra, surgiram as pizzas modernas, com sua diversidade de recheios e formas, desenvolvidas e aperfeiçoadas por todo o mundo. Pois bem, voltando ao século XVI, já se encontrava pizza na cidade de Nápoles. Todo tipo de gente gostava de pizza: crianças, adultos e os mais velhos; dos simples trabalhadores aos ricos mercadores e integrantes da nobreza. Dentre tantas histórias, suscitamos um curioso episódio: por volta do ano de 1772, o Rei Fernando I de Bourbon degustou uma pizza, daquelas bem rústicas, num estabelecimento de Antonio Testa, também conhecido como n’Tuono. Gostou tanto que decidiu construir um forno no palácio. Ocorre que sua mulher, Maria Carolina d’Áustria, detentora de postura firme e aristocrática, não aprovou a idéia.
Anos após, seu filho, Fernando II, deu continuidade na idéia do patriarca, e inclusive instalou um forno especial no parque régio de Capodimente, para o filho de n’Tuono, Domenico Testa. Dizem também que alguns soldados espanhóis, que ocupavam a cidade à época, colaboraram com o hábito de se comer pizza em pé, com as mãos. Explico: não foram dadas as boas-vindas pelos cidadãos napolitanos aos referidos soldados, que iam às tabernas, dobravam e devoram as pizzas, com “um olho no peixe, outro no gato”. Digo: um olho no prato, outro na freguesia da taberna...
A pizza tinha enorme vantagem sobre o spaghetti, pois dispensava pratos e talheres e podia ser vendida nas ruas e aos pedaços nos quatro cantos de Nápoles. Curiosamente, nessa época surgiu o garfo de quatro pontas, uma invenção de Genaro Spadaccino, responsável pelas coisas da mesa real, a pedido de Fernando II, no intuito de degustar as massas com mais classe e higiene.
Na primeira metade do século XIX, muitas famílias de pizzaiolos se destacaram, estabelecendo verdadeiras dinastias. Algumas pizzarias se destacavam nesta época: “n’tuono”, de Domenico Testa, a “Don Ciccio", a “Port'Alba” e a “Pizzaria Don Pedro", entre outras.
Atribui-se a invenção da Pizza Margherita à Raffaele Esposito.
Em 1889, na recém-unificada Itália, o Rei Humberto I e a rainha Marguerita visitaram Nápoles. Raffaele Esposito, que tinha o apelido de “Nas’e Cane” (Nariz de Cachorro) e sua mulher, Rosina Brandi, foram convocados para confeccionar pizzas no Palácio Real de Capodimonte, onde a nobreza costumava passar as férias de verão. Em uma carroça puxada por um burro, trouxe com ele as ferramentas simples para o forno, bem como os ingredientes para a receita. Ofereceu ao Rei e à Rainha três tipos de pizza: uma de toucinho de porco, queijo e manjericão; outra de alho, azeite, orégano e tomate (Marinara); e a última de tomate, mussarela e manjericão. Das três, a última foi mais apreciada, sendo homenageada com o nome da Rainha: nascia em Junho de 1889, com a cara e as cores da Itália, a pizza Margherita!
Esposito recebeu em 11 de junho de 1889 uma carta de agradecimento do L’Ufficio di “Bocca" della Casa Reale, confirmando a qualidade das três pizzas oferecidas a Sua Majestade. Apesar da Pizza Margherita já existir anteriormente, após o recebimento da carta, Raffaele Esposito, dono da pizzaria Pietro Il Pizzaiulo (hoje Pizzerie Brandi), tornou-se uma lenda na cidade de Nápoles. Comenta-se, ainda, que quem tinha verdadeiramente talento para a pizza era sua mulher, Rosina. De qualquer sorte, devemos aplaudir a habilidade de Esposito, que soube aproveitar a repercussão da visita real e espalhar seu produto por todo mundo.
A propagação da receita da pizza pelo resto da Itália foi bastante lenta até a Segunda Guerra Mundial. As pessoas ainda não tinham adquirido o hábito de freqüentar restaurantes, sendo as refeições feitas em casa, com a família reunida à mesa.
Depois da Guerra, apesar da baixa condição econômica da população, os mais jovens precisavam recuperar o tempo perdido. Nas pizzarias, encontraram o lugar perfeito: divertia-se muito e gastava-se pouco.
Sem deixar de ser barata e popular, começam a aparecer novas variedades de pizza, utilizando-se novos ingredientes e afastando-se das fórmulas originais. Finalmente a pizza torna-se um prato destinado a reuniões de famílias, de amigos, com ares de restaurante, decoração mais detalhada e diversificada.
É preciso destacar, ainda, o papel importantíssimo que as migrações de italianos nos séculos XIX e XX tiveram na propagação da pizza e outros pratos de seu país pelo mundo. A pizza adotou ingredientes e paladares dos lugares onde é preparada, e se adaptou às preferências locais. Buenos Aires, São Paulo e Nova Iorque estão entre as cidades que mais consomem pizza no mundo.
Por isso, na próxima vez que for degustar uma bela pizza, seja com a família, seja com os amigos, na sua casa ou no balcão da velha padaria, aprecie junto com a sua bela história e tradição!
Buon appetito!
Gabriel Schievano Finotti
Moinho Nacional